Doenças e Tratamentos
Cirurgia Refrativa
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O que é?
A cirurgia refrativa é um procedimento realizado com o objetivo de tornar o paciente independente dos óculos e lente de contato. A principal modalidade é aquela que utiliza um laser (excimer laser) para mudar o formato da córnea e corrigir o erro refracional, sendo possível corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo.

Quem pode realizar a Cirurgia Refrativa?
Como dito anteriormente, a cirurgia consegue tratar miopia, hipermetropia e astigmatismo. Para realizá-la, o paciente precisa estar com o grau estável e ter mais do que 21 anos.
Como nós mudamos o formato da córnea com o laser, é muito importante saber se ela "suporta" essa alteração, sendo que quanto maior o grau a ser corrigido, maior será a modificação em sua estrutura. Para saber se é possível realizar a cirurgia refrativa, é necessário um consulta oftalmológica e exames que avaliem a córnea, sendo um dos principais a tomografia de córnea.
Tipos de Cirurgia Refrativa
Existem dois principais procedimentos:
• PRK • LASIK
PRK (fotoablação de superfície convencional)
Nesse tipo de cirurgia é retirada a camada de células mais superficial da córnea ("raspagem"), o epitélio, e em seguida é aplicado o excimer laser.
Após essa etapa, é colocada uma lente de contato gelatinosa que funciona como um curativo e é retirada entre o quinta e sétimo dia.
Essa técnica de cirurgia consegue bons resultados, mas o tempo de recuperação visual é mais longo, havendo oscilação da visão principalmente no primeiro mês de cirurgia e nos primeiros dias de pós operatório há mais desconforto, o qual é minimizado com o uso das medicações no pós operatório.
LASIK
No LASIK , diferentemente do PRK, primeiramente confeccionamos o flap, corte de espessura parcial na córnea que fica preso em um determinado ponto.
Esse flap pode ser realizado com o uso do microceratomo (aparelho que faz o corte com o uso de uma lâmina) ou com o uso do femtosegundo (laser que separa as fibras de colágeno da córnea e, dessa forma, faz um corte de alta precisão). Ambos os métodos podem ser realizados, mas pelos estudos sabemos que a previsibilidade é maior com o uso do femto segundo, ou seja, mais preciso.
Após confeccionado o flap é levantado e é realizada a aplicação do excimer laser que faz o tratamento.
Em seguida o flap é reposicionado, isso permite uma proteção da região operada e não é necessário a colocação de lente de contato. Dessa forma, o pós operatório tem menor desconforto que o PRK e a recuperação visual é mais rápido, sendo que em poucos dias a visão costuma estar boa.
Ceratocone
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O que é?
O ceratocone é uma doença ectasica da córnea conhecida há mais de 150 anos. A sua prevalência é em torno de 1/2000 na população geral, mas vale ressaltar que é mais alta em alguns locais do mundo.
Para entendermos melhor o que é o ceratocone, é importante conhecer uma estrutura do nosso olho que se chama córnea (imagem ao lado).

A córnea é uma estrutura altamente complexa que fica na parte da frente do olho. Ela é responsável por cerca de 3 ⁄ 4 do poder óptico do olho e tem papel de proteção. Quando normal, não possui vasos e é a estrutura do corpo com maior inervação, por esta razão qualquer tipo de abrasão causa dor intensa.
Ela é composta por 6 camadas (epitélio, membrana de Bowman, estroma, camada de Dua, descemet e endotélio), tem uma espessura média de 540 micrômetros e possui um formato regular em como visto na figura.
O ceratocone é uma doença em que há a perda do formato regular da córnea, ocorrendo uma protusão acompanhada de um afinamento.
Conforme isso acontece, os raios de luz que deveriam focar em um ponto em comum, começam a focar em diferentes pontos causando uma "sombra" na imagem. (colocar imagem). Esse processo é acompanhado do aumento da miopia e astigmatismo, muitas vezes sem melhora da visão apenas com óculos. O ceratocone acomete normalmente os dois olhos, mas muitas vezes de forma assimétrica (um olho melhor que o outro), o que pode atrasar o diagnóstico visto que com um olho com boa visão a pessoa pode não perceber a dificuldade no outro. Como sintomas precoces temos fotofobia, coceira nos olhos e aumento progressivo de miopia e astigmatismo.
A doença começa tipicamente na puberdade e sua progressão cessa por volta dos 30-35 anos. Como fatores de risco para a piora/progressão do ceratocone temos a idade (quanto mais novo, maior o risco), estágio avançado ao diagnóstico e coçar os olhos.
Diagnóstico
No exame oftalmológico podemos ter a suspeita de ceratocone em casos com miopia e astigmatismo altos e que muitas vezes não melhora com óculos e coceira importante nos olhos. No exame em casos avançados podemos ver alterações na córnea, mas o diagnóstico é confirmado com o exame de topografia ou tomografia de córnea (pentacam/orbscan/galilei). A tomografia de córnea consegue avaliar de forma mais detalhada, mostrando a espessura da córnea em cada ponto.

Figura A: exame de paciente sem ceratocone. Figura B: exame de paciente com ceratocone.
Tratamento
O tratamento do ceratocone pode ser dividido em dois importantes pilares. O primeiro foca na progressão do ceratocone e, o segundo, na melhora da visão.
• Progressão • Tratamento • Melhora da visão
Progressão
Como fatores de risco envolvidos na progressão temos:
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Idade: quanto mais novo maior o risco de piora da doença e a estabilidade costuma ser atingida por volta dos 30-35 anos;
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Gravidade: quadros avançados ao diagnóstico têm maior risco de progressão;
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Coçar os olhos: é um dos principais fatores relacionados com a progressão e que pode ser modificado com o tratamento da alergia ocular.
Dessa forma, vemos a importância do seguimento regular dos pacientes com realização de topografia/tomografia de córnea e tratamento da alergia ocular para controle da coceira. Quanto mais novos, mais próximas são as consultas as quais, com o decorrer do tempo podem ser espaçadas.
Quando é feito o acompanhamento e identificada a progressão do ceratocone pode ser realizado o crosslinking, cirurgia que tem como objetivo estagnar a doença e não a melhora da acuidade visual.
O crosslinking é uma cirurgia em que a córnea é impregnada com a vitamina B2 (riboflavina) e posteriormente há a aplicação de um espectro de radiação ultravioleta (UVA). Esse processo promove o enrijecimento das fibras de colágeno da córnea o que promove maior estabilidade à córnea.
Melhora da acuidade visual
O ceratocone é uma doença com uma grande variação na apresentação clínica, temos pacientes que conseguem uma boa visão sem óculos ou qualquer tipo de auxílio e outros que acabam precisando do transplante de córnea em ambos os olhos. A escolha do tratamento melhora da visão segue uma "escada" de opções.

A primeira forma de melhorar a visão é com o uso de óculos, entretanto, em casos mais avançados ele não é suficiente. A lente de contato gelatinosa consegue fornecer a mesma visão que os óculos, mas não melhora-la. Em casos de graus altos ela pode proporcionar maior conforto e aumento do campo de visão.
Para os casos que não se resolvem com óculos, temos as lentes de contato rígidas, as quais conseguem melhorar a qualidade de visão e reduzir a "sombra" em torno das imagens. Hoje temos lentes com melhores tecnologias que facilitam o seu uso.
O terceiro degrau da escada, o implante de anel intra estromal, é para aqueles que não melhoram a visão com lente ou que não conseguem usá-las. O anel intra estromal é feito de PMMA (espécie de um plástico) que é colocado dentro da córnea e tem como objetivo melhorar a sua regularidade. Ele consegue melhorar a visão, reduzir o grau do paciente, mas não é um procedimento 100% previsível, pois depende da cicatrização da córnea.
Para aqueles que não alcançam uma visão satisfatória com nenhum dos tratamentos acima, existe o transplante de córnea. O transplante é uma cirurgia mais invasiva em que a córnea do paciente é retirada (total ou parcialmente) e é colocada a de um doador. Há risco de rejeição, aumento da pressão intraocular e glaucoma, exige um maior tempo de recuperação, mas ainda é uma boa opção de tratamento quando indicada corretamente.
É importante ressaltar, que os tratamentos para o paciente com ceratocone são complementares e ao longo da vida ele pode precisar de diferentes tipos de tratamentos, mas sempre buscando controlar a sua progressão e conseguir uma visão satisfatória para a sua vida.
Adaptação de
Lente de Contato
O uso de lentes de contato é mais conhecido para proporcionar independência dos óculos, o que traz benefício para aqueles que acham desconfortável e inestético e maior conforto, liberdade e segurança na prática esportiva.
Entretanto, a lente de contato pode gerar melhora na qualidade de visão em alguns casos de pacientes com graus altos e córneas irregulares o que acontece em doenças como ceratocone, pós trauma, pós transplantes, pós implante de anel intraestromal, pós ceratotomia radial e cicatrizes.

Formas de Descarte
Toda lente de contato tem uma programação de uso, que é estabelecida de acordo com o seu fabricantes. Elas podem ser:
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Descarte diário ou descartáveis : A lente é usada por um dia e ao final deste, é jogada fora. Dessa forma, não é necessário estojo, solução multipropósito e acaba sendo um pouco menos trabalhoso e pode gerar menos intolerância.
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Descarte programado: A lente é colocada pela manhã ou momento desejado e retirada após, sendo armazenada no estojo com a solução multipropósito. Ela será descartada após um determinado número de dias corridos, podendo ser quinzenais, mensais ou anuais.
A forma de descarte ideal é escolhida de acordo com cada paciente, sendo importante sua motivação, antecedentes oftalmológico e exame.
Tipos de Lentes de Contato
Existem dois grandes grupos de lentes de contato, as lentes gelatinosas e lentes rígidas gás permeáveis.
Lentes Gelationosas
São as lentes mais comumente usadas, podem ser feitas em dois tipos de materiais: hidrogel e silicone hidrogel. De uma forma geral, preferimos hoje lentes de silicone hidrogel, pois elas permitem uma melhor oxigenação da córnea, sendo mais saudáveis.
Elas podem corrigir miopia, hipermetropia, astigmatismo e também a presbiopia (dificuldade para perto que aparece com a idade). São chamadas de lentes esfércias (corrigem miopia ou hipermetropia), lentes tóricas (corrigem também o astigmatismo) e lentes multifocais (tem como objetivo corrigir a presbiopia).
Na sua adaptação é bastante importante aferir de forma correta o grau do paciente, examiná-lo para escolher a melhor lente/ forma de descarte e avaliar o conjunto lente-córnea. Nesta etapa, verificamos se a lente fica na posição correta, se têm mobilidade adequada ou se está apertada, isso tudo é importante para que o paciente consiga obter uma boa visao e conforto.
Video lente / torica
Lente de Contato Rígida Gás Permeável
São lentes que podem ser usadas para correção do grau (miopia, hipermetropia e astigmatismo), mas tem seu maior papel em pacientes com córneas irregulares (ceratocone, pós trauma, pós transplantes, pós implante de anel intraestromal, pós ceratotomia radial e cicatrizes). Como são feitas de um material mais duro, são menos confortáveis que as lentes gelatinosas, mas permitem uma melhor oxigenação e proporcionam uma melhora da visão nos pacientes com irregularidade corneana, pois consegue "moldar" a lágrima que fica entre a córnea e a lente.
Existem lentes de diversos formatos e para a escolha da lente inicial é necessário algum exame que mostre o formato da córnea (topografia ou tomografia). Após essa etapa, examinamos e avaliamos o conjunto lente-córnea para avaliar como a lente se "encaixa"” posicionamento, movimentação (é necessário para que haja uma melhor oxigenação), se há algum tipo de toque (pode ser ruim e gerar machucados e cicatrizes no futuro) e o conforto. Fazemos ajustes até chegar na lente ideal e posteriormente verificamos o grau e visão.
A adaptação com as lentes costuma levar algumas semanas, o conforto costuma melhorar com lentes bem adaptadas e com o tempo de uso. Apesar de não proporcionarem uma sensação igual à das lentes gelatinosas, a lente rígida consegue melhorar a visão.
video lente rigida
Lente Escleral
Esse tipo de lente é mais novo, também é feito de um material duro, mas seu apoio é sobre a esclera (parte branca do olho). A grande vantagem é a melhora do conforto, conseguindo também uma melhora da visão em córneas irregulares. As desvantagens são principalmente a dificuldade inicial no seu manuseio e menor oxigenação, com necessidade de seguimento mais próximo e limite menor de uso de horas durante o dia.
Além de proporcionar melhora da visao em corneas irregulares, ela tambem pode ser usada do tratamentos de alguns casos de olho seco grave.
Foto lente escleral
CUIDADOS COM LENTE DE CONTATO




